Palácio dos Azulejos: a história do prédio que abriga o MIS
Construído em 1878 para o barão de Itatiba, o Palácio dos Azulejos foi sede da Prefeitura até 1968 e hoje abriga o MIS, no Centro. Conheça a história.
Por Redação Campinas SP · revisado por Thomas SoaresPublicado em · 5 min de leitura

Na esquina das ruas Regente Feijó e Ferreira Penteado, no Centro de Campinas, um sobrado coberto de azulejos destoa dos prédios em volta. É o Palácio dos Azulejos, casa de um barão do café, depois sede da Prefeitura por seis décadas e, hoje, endereço do Museu da Imagem e do Som (MIS). Pouca gente sabe que, depois de tombado, ele chegou a ter a proteção de patrimônio contestada na própria cidade.
A casa do barão de Itatiba
O dono era Joaquim Ferreira Penteado, o barão de Itatiba, um dos grandes fazendeiros de café da região, conhecido na cidade como “Ferreira Velho”. Junto com o genro, Antônio Carlos Pacheco e Silva, ele construiu um grande sobrado que era, na verdade, uma dupla residência: duas casas geminadas, lado a lado.
A obra é de 1878, no auge da riqueza do café em Campinas. Segundo um artigo de Celso Maria de Mello Pupo guardado no Centro de Memória da Unicamp, foi ali que o barão comemorou as bodas de ouro, em 15 de maio de 1880. Em frente ao sobrado, ele mandou construir, por conta própria, a Escola Ferreira Penteado, num prédio construído pelo engenheiro Ramos de Azevedo.
Os azulejos que dão nome ao prédio
O nome vem do revestimento do pavimento superior, coberto de azulejos portugueses. Segundo reportagem do Correio da Manhã de junho de 2026, os azulejos vieram da cidade do Porto e estão na fachada até hoje.
Eles faziam parte de um pacote de luxo raro em Campinas na época. O sobrado seguia o estilo neoclássico e usava materiais importados da Europa, como mármore, lustres, tintas e metais decorativos. Era uma forma de mostrar o poder econômico e cultural da família.
Taipa embaixo, tijolo em cima
Por dentro, o Palácio mistura duas técnicas. As paredes principais do térreo seriam de taipa de pilão, a terra socada usada nas casas das fazendas de café, encapadas com tijolos. No andar de cima, predominam os tijolos, que permitiam vãos maiores. Como o projeto original e o construtor são desconhecidos, nem tudo sobre a obra está esclarecido.
Os números ajudam a entender o tamanho da casa:
| Item | Medida |
|---|---|
| Terreno | cerca de 1.100 m² |
| Área construída total | 2.100 m² |
| Sobrado da esquina | 1.185 m² |
| Edifício geminado | 915 m² |
A escada principal, de madeira, tem degraus marchetados (com desenhos feitos de madeiras encaixadas) e era iluminada por uma claraboia. No alto ficava a área de receber visitas, a mais caprichada da casa. O telhado, de quatro águas, foi adaptado ao formato de U do prédio.
De casa de barão a Prefeitura
Em 1908, os herdeiros do barão venderam o prédio à cidade. A Prefeitura juntou as duas casas num prédio só e instalou ali o Fórum e a sede da Prefeitura Municipal de Campinas. Foram seis décadas de vida pública: a Prefeitura só saiu em 1968, quando ficou pronto o Palácio dos Jequitibás.
O tombamento federal veio nessa época. Segundo a Wikipédia, o prédio foi reconhecido pelo Iphan em 1967. A medida não agradou a todos: houve em Campinas um pedido para anular o tombamento, e o órgão federal recusou.
O papel da Câmara
O artigo de Celso Maria de Mello Pupo, escrito no calor dessa discussão, defende a preservação do Palácio. Ele lembra que a Câmara Municipal de Campinas tinha aprovado uma lei destinando o prédio ao Museu Histórico de Campinas, ou seja, dando a ele um uso cultural. Na mesma época, a Câmara também pediu ao Estado o tombamento da Escola Ferreira Penteado, bem em frente.
Na época do artigo, quem ocupava o Palácio era a Secretaria de Obras do município. O autor argumentava que, se engenheiros trabalhavam ali, o prédio não podia estar em ruína, e que restaurá-lo era perfeitamente possível.
O MIS no Palácio
Depois da Prefeitura, o prédio foi ocupado pela Sanasa. Nos anos 1990, passou para a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e começou a abrigar o Museu da Imagem e do Som e parte do Arquivo Municipal.
O MIS completou 50 anos em 2025. Guarda a memória audiovisual de Campinas, com vídeo, áudio, fotografia, cinema e equipamentos antigos, e tem cinema, exposições e cursos. Para visitar o museu e outros espaços do Centro no mesmo dia, veja o roteiro de museus de Campinas.
Hoje o Palácio dos Azulejos é tombado nas três esferas: pelo Iphan, pelo Condephaat e pelo Condepacc. Segundo a Wikipédia, ao lado da Casa Grande e Tulha, é um dos únicos imóveis de Campinas com reconhecimento do Iphan. Em 2022, os jornalistas Martinho Caires e José Pedro Soares Martins lançaram um livro sobre a história e a ocupação popular do prédio.
Para visitar
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Endereço | Rua Regente Feijó, 859, Centro |
| Horário | Terça a sexta, 9h às 18h30; sábado, 10h às 16h |
| Fechado | Domingos e feriados |
| Contato | mis@campinas.sp.gov.br |
O Palácio fica perto de outros prédios do tempo do café. A história desse período está em por que Campinas é chamada de Princesa d’Oeste, e o bairro aparece na página do Centro de Campinas.
Os horários do MIS podem mudar em feriados e durante montagem de exposições. Antes de ir, confirme pelo e-mail do museu ou na página da Secretaria de Cultura e Turismo, no site da Prefeitura de Campinas.
Veja também o roteiro a pé pelo Centro.
Perguntas frequentes
Onde fica o Palácio dos Azulejos?
No Centro de Campinas, na esquina da Rua Regente Feijó com a Rua Ferreira Penteado. A entrada do Museu da Imagem e do Som fica na Rua Regente Feijó, 859.
Por que se chama Palácio dos Azulejos?
Por causa dos azulejos portugueses que revestem a fachada do andar de cima. Segundo o Correio da Manhã, eles vieram da cidade do Porto, em Portugal, e estão lá até hoje.
Quem construiu o Palácio dos Azulejos?
O sobrado foi erguido em 1878 para Joaquim Ferreira Penteado, o barão de Itatiba, fazendeiro de café, e para o genro dele, Antônio Carlos Pacheco e Silva. Eram duas casas lado a lado, unidas mais tarde num prédio só.
O Palácio dos Azulejos já foi Prefeitura?
Sim. Em 1908, os herdeiros do barão venderam o prédio à cidade, que instalou ali a Prefeitura e o Fórum. A Prefeitura ficou no Palácio dos Azulejos até 1968, quando se mudou para o Palácio dos Jequitibás.
O que funciona hoje no Palácio dos Azulejos?
O Museu da Imagem e do Som de Campinas (MIS), que guarda a memória audiovisual da cidade e tem cinema, exposições e cursos. O prédio também abrigou parte do Arquivo Municipal.
Qual o horário do MIS Campinas?
Segundo a Prefeitura, o MIS abre de terça a sexta, das 9h às 18h30, e aos sábados, das 10h às 16h. Fecha aos domingos e feriados.
O Palácio dos Azulejos é tombado?
Sim, pelo Iphan, órgão federal, pelo Condephaat, do Estado de São Paulo, e pelo Condepacc, de Campinas. Segundo a Wikipédia, é um dos poucos imóveis de Campinas reconhecidos pelo Iphan.
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