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Curiosidades e história

Carlos Gomes: o maestro campineiro que conquistou a Europa

Nascido em Campinas em 1836, Carlos Gomes levou O Guarani ao Scala de Milão em 1870. Conheça a vida do maestro, o Monumento-Túmulo e o Museu Carlos Gomes.

Por Redação Campinas SP · revisado por Thomas SoaresPublicado em · 5 min de leitura

Estátua de bronze de Carlos Gomes no alto do Monumento-Túmulo, vista de costas contra o céu azul, entre palmeiras, no Centro de Campinas
Foto: Natália C. Terêncio (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

Quem passa pelo Centro de Campinas cruza com Carlos Gomes o tempo todo: na praça que leva o nome dele, no Centro de Convivência, na escola estadual da Avenida Anchieta e, principalmente, no grande monumento de bronze onde ele está sepultado. Não é exagero. O menino que aprendeu música com o pai numa vila do interior paulista virou o primeiro compositor das Américas a fazer sucesso de verdade na ópera europeia.

O Tonico de Campinas

Antônio Carlos Gomes, o Tonico, nasceu em Campinas em 11 de julho de 1836. Era filho de Manuel José Gomes, o “Maneco Músico”, e cresceu ouvindo ensaios em casa. Começou a estudar música aos 10 anos e, ainda adolescente, já compunha peças religiosas e modinhas que circulavam pela cidade.

A estreia oficial como compositor foi em 1854, com a Missa de São Sebastião. Na juventude, dava aulas de piano e canto e tinha uma preferência clara: a ópera, especialmente a de Giuseppe Verdi.

Do Rio de Janeiro para Milão

Em 1860, Carlos Gomes se mudou para o Rio de Janeiro em busca de formação e reconhecimento. Lá conquistou o apoio do imperador Dom Pedro II, que o ajudou a entrar no Conservatório de Música. A primeira ópera, A Noite do Castelo, estreou em 4 de setembro de 1861, e o compositor recebeu do imperador a Ordem da Rosa. Em seguida veio Joana de Flandres, de 1863.

O sucesso no Rio abriu caminho para a Europa. Com bolsa e o apoio do imperador, ele foi estudar em Milão, então o coração da ópera mundial. Estudou com o compositor Lauro Rossi e recebeu o diploma de maestro compositor em 1866, aos 30 anos.

A noite de O Guarani no Scala

O grande momento veio em 19 de março de 1870. Naquela noite, o Teatro alla Scala, em Milão, estreou Il Guarany, a ópera de Carlos Gomes baseada no romance O Guarani, de José de Alencar. A história do indígena Peri e da jovem Ceci foi escrita em italiano, mas se passava no Brasil.

A estreia rendeu sucesso internacional. Segundo a Wikipédia, Verdi descreveu a obra como de “um verdadeiro gênio musical”, e a ópera logo passou por outros teatros importantes da Itália e da Europa. No Brasil, a primeira apresentação foi em 2 de dezembro de 1870, aniversário de Dom Pedro II, no Rio de Janeiro.

A abertura de O Guarani ganhou vida própria: é o tema do programa de rádio A Voz do Brasil. Muita gente conhece a música sem saber que ela nasceu da cabeça de um campineiro.

Outras óperas e a volta ao Brasil

Depois de O Guarani, Carlos Gomes continuou na Itália e escreveu outras óperas:

Ópera Estreia
Fosca 1873, Teatro alla Scala, Milão
Salvator Rosa 1874
Maria Tudor 1879, Teatro alla Scala, Milão
Lo schiavo (O Escravo) 1889, Rio de Janeiro
Condor 1891, Teatro alla Scala, Milão
Colombo 1892, Rio de Janeiro

Em 1876, a pedido de Dom Pedro II, compôs a Saudação do Brasil para o centenário da independência dos Estados Unidos. Lo schiavo, dedicada à princesa Isabel, estreou no Rio em 1889, um ano depois da Lei Áurea.

Dom Pedro II havia prometido ao maestro a direção do Conservatório do Rio de Janeiro, mas a proclamação da República, em novembro de 1889, encerrou essa possibilidade. Em 1896, já doente, Carlos Gomes aceitou dirigir o novo Conservatório de Música do Pará e se mudou para Belém, onde morreu em 16 de setembro de 1896.

O Monumento-Túmulo, no coração da cidade

O corpo do maestro foi trazido para Campinas. Segundo a Wikipédia, os restos ficaram primeiro numa capela do Cemitério da Saudade e, em 1905, foram levados para o Monumento-Túmulo, no Centro, onde estão até hoje.

O monumento fica no conjunto das praças Antônio Pompeu e Bento Quirino, considerado o coração de Campinas. A escultura, de Rodolfo Bernardelli, mostra Carlos Gomes regendo, com a batuta na mão direita. Na base, uma figura feminina representa Campinas, a Princesa d’Oeste. A pedra fundamental foi lançada por Santos Dumont, e o lugar foi escolhido pelo arquiteto Ramos de Azevedo por ter sido o cenário da primeira missa da cidade, em 1774.

Museu Carlos Gomes

O Museu Carlos Gomes fica no Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA), na Rua Bernardino de Campos, 989, no Centro. Foi criado em 1956 para reunir a memória do maestro, mas tudo começou em 1902, quando chegaram ao CCLA caixas com manuscritos do compositor e da família.

No acervo há batutas, partituras, cartas, instrumentos e objetos pessoais. Os destaques são o piano do século 19, uma harpa presenteada por amigos e uma partitura de O Guarani copiada à mão pelo irmão do maestro, Sant’Anna Gomes. O museu aparece com horários e endereço no nosso roteiro de museus de Campinas.

Um nome espalhado pela cidade

A memória de Carlos Gomes está em muitos endereços. A Praça Carlos Gomes recebeu o nome em 27 de setembro de 1880. O Centro de Convivência Cultural, no Cambuí, também leva o nome dele (veja o guia do Cambuí). E a antiga estação Matto Dentro, da Mogiana, virou Estação Carlos Gomes em 1897; hoje ela fica no caminho da Maria Fumaça entre Campinas e Jaguariúna.

O maestro também é autor do Hino Oficial de Campinas, Progresso, Coro Triunfal ao Povo Campineiro. Campinas é cidade-irmã de Lecco, na Itália, onde ele viveu parte da trajetória europeia. Todo mês de setembro, a cidade faz o Mês Carlos Gomes, com concertos e caminhadas gratuitas. Em 2026, a programação marcou os 190 anos do nascimento e os 130 anos da morte do compositor.

Em setembro de 2026, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) aprovou o registro da obra e do legado de Carlos Gomes como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade. O registro vale não só para as óperas, mas também para o ensino, as apresentações e as celebrações que mantêm essa música viva.

Para visitar o Museu Carlos Gomes, agende pelo e-mail do CCLA (ccla@ccla.org.br) e confirme os horários antes de ir. A programação do Mês Carlos Gomes é divulgada todo ano pela Secretaria de Cultura e Turismo, no site da Prefeitura de Campinas.

Veja também o roteiro a pé pelo Centro.

Perguntas frequentes

Quem foi Carlos Gomes?

Antônio Carlos Gomes foi um compositor e maestro nascido em Campinas em 11 de julho de 1836. É considerado o maior nome da ópera brasileira do século 19 e foi o primeiro compositor das Américas a alcançar grande sucesso nos palcos de ópera da Europa.

Quando estreou a ópera O Guarani?

O Guarani, em italiano Il Guarany, estreou no Teatro alla Scala, em Milão, em 19 de março de 1870. A ópera é baseada no romance O Guarani, de José de Alencar, e teve a primeira apresentação no Brasil em 2 de dezembro de 1870, no Rio de Janeiro.

Onde Carlos Gomes está enterrado?

Carlos Gomes morreu em Belém, no Pará, em 16 de setembro de 1896. Seus restos foram trazidos para Campinas e, desde 1905, estão no Monumento-Túmulo, no conjunto das praças Antônio Pompeu e Bento Quirino, no Centro.

Quem fez a estátua do Monumento-Túmulo de Carlos Gomes?

A escultura é de Rodolfo Bernardelli. Ela mostra o maestro em posição de regência, com a batuta na mão direita, e tem na base uma figura feminina que representa Campinas, a Princesa d'Oeste.

Como visitar o Museu Carlos Gomes?

O museu fica no Centro de Ciências, Letras e Artes, na Rua Bernardino de Campos, 989, no Centro. Segundo a Prefeitura, a entrada é gratuita, com agendamento pelo e-mail ccla@ccla.org.br, e as visitas são de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 17h.

Qual música de Carlos Gomes toca na Voz do Brasil?

A abertura da ópera O Guarani é o tema do programa de rádio A Voz do Brasil. Por isso, muita gente conhece a música de Carlos Gomes sem saber de quem é.

Carlos Gomes compôs o hino de Campinas?

Sim. O Hino Oficial de Campinas, Progresso, Coro Triunfal ao Povo Campineiro, é de autoria de Carlos Gomes, segundo a Prefeitura de Campinas.

O que é o Mês Carlos Gomes?

É a programação que Campinas faz todo mês de setembro em homenagem ao maestro, com concertos, palestras e caminhadas históricas gratuitas. Em 2026, a programação marcou os 190 anos do nascimento e os 130 anos da morte do compositor.

Fontes

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