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Curiosidades e história

Estação Cultura: a história da antiga estação de trem que virou centro cultural em Campinas

O trem chegou a Campinas em 1872 e o prédio atual da estação é de 1884. Conheça a história da Estação Cultura, no Centro, e o que acontece lá hoje.

Por Redação Campinas SP · revisado por Thomas SoaresPublicado em · 3 min de leitura

Fachada de tijolos da Estação Cultura, antiga estação ferroviária no Centro de Campinas
Foto: MadeleineMoon (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

Quem passa pela Praça Marechal Floriano Peixoto, no Centro, vê um grande prédio de tijolos aparentes com uma torre de relógio no meio. É a Estação Cultura, que por mais de um século foi a porta de entrada de Campinas para quem chegava de trem.

O trem chega a Campinas

Na segunda metade do século 19, o café movia a economia paulista. Era preciso levar a produção do interior até o porto de Santos, e a ferrovia virou o caminho. A Companhia Paulista nasceu para ligar Jundiaí a Campinas, com apoio de fazendeiros e comerciantes ligados ao café.

O primeiro trem chegou à cidade em 11 de agosto de 1872. A partir daí, os trilhos mudaram a cara de Campinas: a cidade cresceu, recebeu indústrias e ganhou bairros inteiros em volta da ferrovia, como a Vila Industrial, do outro lado dos trilhos.

Duas estações no mesmo lugar

O prédio que vemos hoje não é o primeiro. A primeira estação, aberta em 1872, tinha um só pavimento e era bem mais simples: um bloco no meio, com uma ala menor de cada lado. Pouco mais de dez anos depois, ela já não dava conta do movimento.

A Companhia Paulista construiu então uma estação nova, inaugurada em 1884, e a antiga foi demolida. O novo prédio foi erguido com tijolos importados da Inglaterra e segue a arquitetura vitoriana, típica das ferrovias da época. A torre do relógio marca o trecho mais antigo: em 1884, o prédio se resumia a esse miolo. O resto foi sendo somado aos poucos, em sete fases de ampliação e reforma.

A Estação Cultura, no Centro de Campinas, com a arquitetura de tijolos do fim do século 19.
A Estação Cultura, no Centro de Campinas, com a arquitetura de tijolos do fim do século 19. Foto: Yara Carvalho (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

Uma curiosidade: um túnel para pedestres de cerca de 200 metros passa por baixo dos trilhos e liga o Centro à Vila Industrial.

De Paulista a Fepasa

Em 1971, a Companhia Paulista foi incorporada pela Fepasa (Ferrovia Paulista S.A.), empresa do governo do estado que reuniu as grandes ferrovias paulistas. Por isso, muita gente em Campinas ainda chama o prédio de “Estação Fepasa”.

Com o passar das décadas, o transporte de passageiros perdeu força. O último trem de passageiros saiu de Campinas em 15 de março de 2001, rumo a Araraquara.

Sem trens, o prédio ganha palco

Ainda em 2001, a estação vazia virou centro cultural, sob gestão da Prefeitura. A ideia partiu do prefeito da época, Antônio da Costa Santos. Ele era arquiteto e tinha a preservação dos prédios históricos como uma de suas bandeiras. Em 2011, o espaço ganhou o nome oficial de Estação Cultura Prefeito Antônio da Costa Santos, em homenagem a ele.

O prédio é tombado (protegido como patrimônio histórico) pelo Condephaat, órgão do Estado de São Paulo, desde o início dos anos 1980.

Hoje a Estação Cultura recebe:

  • shows de música, apresentações de dança e teatro;
  • feiras literárias e gastronômicas;
  • exposições de arte;
  • eventos que reúnem dezenas de coletivos culturais da cidade.

Os trens vão voltar

A estação vai viver uma nova fase. Parte do prédio será usada pelo futuro Trem Intercidades (TIC), que vai ligar Campinas a São Paulo, com operação prevista para 2031.

Segundo a Prefeitura, a programação cultural tem acesso a toda a plataforma até novembro de 2026. A partir de 1º de dezembro, o trem passa a ocupar metade da plataforma, e a outra metade fica liberada até 31 de dezembro. Em 2027, os grupos vão para outros espaços, como o Teatro Bento Quirino e o CIS Guanabara. O saguão principal segue com a Secretaria de Cultura e Turismo.

A concessionária prevê restaurar a estação até 2028. Ainda não há previsão de volta dos grupos culturais ao prédio.

Antes de ir

Segundo a Prefeitura, a estação abre todos os dias, das 8h às 22h. Horários podem mudar, então confira no site oficial antes de ir: horários e programação estão na página da Estação Cultura no Conheça Campinas, da Prefeitura.

Perguntas frequentes

Onde fica a Estação Cultura?

Na Praça Marechal Floriano Peixoto, no Centro de Campinas.

Por que a Estação Cultura leva o nome de Antônio da Costa Santos?

Em 2011, o espaço ganhou o nome de Estação Cultura Prefeito Antônio da Costa Santos, em homenagem ao prefeito que decidiu transformar a antiga estação em centro cultural. Ele era arquiteto e defensor do patrimônio histórico da cidade.

A Estação Cultura vai fechar por causa do trem?

Não. Segundo a Prefeitura, a plataforma fica toda liberada para a programação até novembro de 2026. A partir de 1º de dezembro, o trem passa a ocupar metade dela, e a outra metade segue liberada até 31 de dezembro. Em 2027, os grupos culturais vão para outros espaços da cidade, e o saguão principal continua com a Secretaria de Cultura e Turismo.

Fontes

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