Sirius: o que é o acelerador de partículas de Campinas e como fazer para visitar
O Sirius, no CNPEM, é uma fonte de luz síncrotron de quarta geração, quase do tamanho do Maracanã. Veja para que serve e como conhecer por dentro.
Por Redação Campinas SP · revisado por Thomas SoaresPublicado em · 3 min de leitura

Pouca gente imagina, mas Campinas abriga uma das máquinas científicas mais avançadas do planeta. É o Sirius, um acelerador de partículas que fica no campus do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) e que é considerado a maior e mais complexa estrutura científica já construída no Brasil.
O que é o Sirius
O Sirius é uma fonte de luz síncrotron de quarta geração. O nome parece complicado, mas a ideia é simples de entender.
Dentro de um grande anel, elétrons são acelerados até chegar perto da velocidade da luz. Quando ímãs muito potentes fazem esses elétrons mudarem de direção, eles soltam uma luz extremamente brilhante, chamada luz síncrotron. Essa luz inclui infravermelho, ultravioleta e, principalmente, raios X.
É com essa luz que os cientistas conseguem “enxergar” o interior dos materiais. Por isso, o próprio CNPEM compara o Sirius a um grande microscópio, capaz de revelar a estrutura de átomos e moléculas.
Para que ele serve
A luz do Sirius é usada em pesquisas de quase todas as áreas da ciência. Alguns exemplos:
- Saúde: estudo de proteínas, vírus e células, o que ajuda no desenvolvimento de remédios.
- Agricultura: análise de plantas e solos.
- Energia: pesquisas com petróleo e com fontes renováveis.
- Novos materiais: desenvolvimento de peças e tecnologias para a indústria.
Durante a pandemia de covid-19, a linha de luz Manacá foi usada para estudar em 3D proteínas do novo coronavírus.
O laboratório é aberto a pesquisadores do Brasil e do exterior, que enviam projetos para usar a máquina.
Tamanho de estádio
O Sirius impressiona pelo tamanho. Veja alguns números:
- O anel principal tem 518,4 metros de circunferência, quase o tamanho do Maracanã, como compara o CNPEM.
- O prédio tem cerca de 68 mil metros quadrados de área construída.
- A máquina é protegida por paredes de concreto com até 1,5 metro de espessura.
- O investimento total foi de cerca de R$ 1,8 bilhão.
As pesquisas acontecem nas chamadas linhas de luz, estações onde a luz é levada até os experimentos. Hoje, 14 linhas estão em operação, contando as 4 inauguradas em maio de 2026, e o projeto prevê até 38. Um detalhe charmoso: elas têm nomes de plantas e animais brasileiros, como Manacá, Ipê, Cedro, Mogno, Imbuia e Paineira.
De onde vem o nome
O nome Sirius homenageia a estrela mais brilhante do céu noturno, que fica na constelação do Cão Maior. A escolha combina com a proposta: produzir uma das luzes mais brilhantes já feitas pelo ser humano.
Dá para visitar?
Dá, sim. A melhor chance para o público em geral é o Ciência Aberta, evento gratuito que o CNPEM realiza desde 2016. A edição de 2026 foi a 8ª. Nesse dia, o campus abre as portas, com visitas ao Sirius, oficinas, experimentos e conversas com cientistas.
Em 2026, o evento aconteceu nos dias 29 e 30 de maio. A sexta-feira ficou reservada a grupos de escolas e o sábado foi aberto a todos, com ingresso gratuito retirado pela internet. A edição de 2025 recebeu mais de 38 mil visitantes em dois dias.
Fora do Ciência Aberta, o CNPEM mantém um programa de visitas voltado a grupos de estudantes. Visitas de pessoas sozinhas ou de grupos pequenos não entram na agenda regular. Para quem não pode ir até lá, o centro também oferece uma visita virtual.
Vale ficar de olho no site do Ciência Aberta para saber quando abrem as inscrições da próxima edição.
Perguntas frequentes
Onde fica o Sirius?
O Sirius fica no campus do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), na Rua Giuseppe Máximo Scolfaro, 10.000, no Polo II de Alta Tecnologia de Campinas.
Qualquer pessoa pode visitar o Sirius?
Sim, no Ciência Aberta, evento gratuito em que o CNPEM abre o campus ao público, realizado desde 2016. Em 2026, a 8ª edição foi nos dias 29 e 30 de maio, com a sexta-feira reservada a grupos escolares e o sábado aberto a todos, com inscrição prévia. Fora do evento, o CNPEM tem um programa de visitas voltado a grupos de estudantes.
O Sirius é perigoso para quem mora perto?
O acelerador fica dentro de um prédio protegido por paredes de concreto com até 1,5 metro de espessura, projetadas para conter a radiação dentro da instalação.
Quando o Sirius foi inaugurado?
O prédio do Sirius foi inaugurado em novembro de 2018. A primeira linha de luz, chamada Manacá, entrou em uso em 2020.
Fontes
- CNPEM: Sirius, o que é e como funciona o acelerador de partículas brasileiro
- CNPEM: Sirius ganha visita virtual
- LNLS/CNPEM: O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron
- LNLS/CNPEM: linhas de luz
- Correio Braziliense: Sirius amplia capacidade (maio de 2026)
- CNPEM: Ciência Aberta
- ACidade ON: inscrições para visita ao Sirius no Ciência Aberta 2026
- Wikipédia: Sirius (acelerador de partículas)
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